Com o número mínimo de assinaturas já alcançado, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master depende agora da retomada dos trabalhos no Congresso Nacional e de uma decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para ser oficialmente instalada.
Em entrevista ao Correio Braziliense, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) afirmou que a criação da CPMI é um direito constitucional da minoria parlamentar e não pode ser impedida, ainda que possa haver atraso na sua instalação. Segundo o parlamentar, a expectativa é de que o tema seja analisado logo após o fim do recesso legislativo.
O senador sustenta que há indícios graves que justificam uma investigação parlamentar. Entre eles, estariam relações consideradas atípicas entre o grupo controlador do Banco Master, de propriedade do empresário Daniel Vorcaro, e autoridades dos Três Poderes. Vieira menciona contratos de valores elevados firmados com familiares de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que, segundo ele, aparentariam não ter comprovação clara de contraprestação.
De acordo com o parlamentar, o conjunto de fatos envolve movimentações financeiras atípicas, transações imobiliárias e decisões judiciais que fugiriam ao padrão habitual, o que, em sua avaliação, exige uma apuração mais aprofundada pelo Congresso. Ele defende que a CPMI deve começar confirmando a existência dos contratos e das transações financeiras, para depois analisar se houve ou não prestação efetiva de serviços e quais teriam sido os objetivos dessas operações.
Questionado sobre possíveis resistências à instalação da CPMI, Alessandro Vieira afirmou que, até o momento, não identificou oposição formal, ressaltando que o Senado ainda estava em recesso. Segundo ele, o cenário ficará mais claro com a retomada das atividades parlamentares.
O senador também comentou as falhas na gestão do Banco Master apontadas pelo Banco Central, afirmando que pode ter havido demora de órgãos de controle, mas que, por ora, não há indícios claros de favorecimento. Caso a CPMI não avance, Vieira disse que pretende levar o tema a outras instâncias, como a CPI do Crime Organizado, onde já estariam sendo preparados pedidos de quebra de sigilo e convocações para depoimentos.







