Do gasto público à loja fechada: como a conta chega à economia

Dívida e o custo elevado do crédito formam um cenário de pressão sobre a economia brasileira.

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O avanço das despesas públicas, o aumento da dívida e o custo elevado do crédito formam um cenário de pressão sobre a economia brasileira. Com juros elevados, empresas encontram mais dificuldades para financiar investimentos e consumidores enfrentam parcelas mais caras.

A taxa Selic está em 14% ao ano, enquanto a dívida bruta do governo geral chegou a R$ 10,8 trilhões, equivalente a 81,9% do PIB, segundo os números citados na análise.

Outro ponto de atenção está nas despesas sujeitas ao arcabouço fiscal. Cerca de R$ 1,6 trilhão em gastos apresentam crescimento acima do limite previsto pela regra, o equivalente a aproximadamente 68% das despesas submetidas ao mecanismo.

Na economia real, os reflexos aparecem em diferentes indicadores. O país registra milhares de empresas em recuperação judicial, enquanto o endividamento das famílias permanece elevado. Dados da CNC também apontam forte comprometimento da renda dos consumidores com dívidas.

É importante, porém, considerar que juros elevados têm entre suas funções combater a inflação e que o endividamento privado possui diferentes causas. Além disso, o desequilíbrio das contas públicas é um problema que atravessa diferentes governos e está relacionado, em grande parte, ao crescimento das despesas obrigatórias.

O debate fiscal, portanto, vai além de um governo específico. A discussão envolve a capacidade do Estado de controlar despesas, cumprir as próprias regras e criar condições para que o setor produtivo tenha maior previsibilidade.