Preços de brinquedos sobem quase 70% acima da inflação, aponta CNC

Avanço é 68% superior à inflação acumulada entre agosto de 2025 e agosto de 2026, que foi de 4,22%.

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Os brinquedos ficaram 7,1% mais caros na comparação com o Dia das Crianças de 2025, segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O avanço é 68% superior à inflação acumulada entre agosto de 2025 e agosto de 2026, que foi de 4,22%.

A alta ocorre às vésperas da data comemorativa e reforça o desafio das famílias para manter o tradicional presente infantil sem comprometer o orçamento. A CNC também projetou que as vendas do Dia das Crianças devem crescer 1,8% neste ano, alcançando R$ 9,27 bilhões.

O que mostra a pesquisa

O levantamento acompanhou uma cesta com 11 itens típicos do Dia das Crianças. No conjunto, os preços subiram 6,7% em relação a 2025 — ritmo também acima da inflação geral no período.

Os brinquedos, porém, não foram o item com maior reajuste. Chocolates lideraram a alta, com avanço de 19,3%, seguidos por videogames (11,2%), lanches (8%), brinquedos (7,1%) e roupas (4%).

ItemVariação de preço ante 2025
Chocolates19,3%
Videogames11,2%
Lanches8,0%
Brinquedos7,1%
Roupas4,0%
Cesta do Dia das Crianças6,7%

Fonte: pesquisa da CNC.

Por que os brinquedos pesam mais

Embora a alta de 7,1% pareça moderada isoladamente, ela ganha relevância quando comparada à inflação de 4,22% no acumulado de 12 meses. Em termos práticos, o preço dos brinquedos avançou quase 3 pontos percentuais acima do índice geral, o que representa uma perda de poder de compra para quem pretende presentear.

O movimento ocorre em um cenário de juros elevados e inadimplência, fatores que tendem a limitar o consumo. Ainda assim, a CNC avalia que o bom nível de emprego e o aumento da massa real de rendimentos sustentam as compras da data.

“Este movimento aponta a manutenção de uma tendência que vemos há alguns anos no varejo: um crescimento baixo, sustentado pelo bom índice de população empregada e aumento da massa real de rendimentos e sufocado pela alta taxa de juros e o custo restritivo do crédito”, avaliou Fabio Bentes, economista-chefe da CNC.

Impacto no Dia das Crianças

A projeção de R$ 9,27 bilhões em vendas indica uma recuperação modesta do comércio, mas não necessariamente uma folga no bolso do consumidor. O crescimento previsto no faturamento pode refletir tanto o aumento de preços quanto a manutenção da demanda por presentes, alimentação e lazer ligados à data.

Para as famílias, a combinação de brinquedos mais caros, chocolates com alta de quase 20% e crédito restritivo pode levar à busca por alternativas mais baratas, compras antecipadas, promoções e reavaliação do valor dos presentes.

Cenário mais amplo

Levantamentos complementares indicam que a pressão sobre os preços de itens infantis não é exclusiva dos brinquedos. Uma cesta do Dia das Crianças acompanhada pela Rico acumulou alta de 32% entre setembro de 2021 e agosto de 2026, acima da inflação geral de 29,9% no período.

No recorte de cinco anos, os brinquedos tradicionais subiram 29,8%, praticamente em linha com o IPCA. Em 2026, porém, houve aceleração: até agosto, a alta foi de 4,61%, acima do avanço geral de 3,11% no ano. A Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq) atribui o movimento à pressão sobre custos de produção e à recomposição das margens da indústria.

O que esperar

A tendência apontada pela CNC é de consumo em expansão lenta: as vendas crescem, mas o ambiente de juros altos, endividamento e preços acima da inflação em itens populares limita o ritmo. Para o varejo, o resultado depende da capacidade de oferecer condições de pagamento e promoções; para os consumidores, a principal estratégia continua sendo comparar preços e priorizar compras planejadas.

Painel comparativo: chocolates (+19,3%), videogames (+11,2%) e brinquedos (+7,1%) frente à inflação de 4,22% — dados da CNC em gráfico interativo.