Bolsa e dólar seguem otimismo pelo segundo dia após liderança de Flávio na eleição

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A bolsa de valores de São Paulo, a B3, e o dólar operam pelo segundo dia seguido com otimismo após a liderança do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no primeiro turno da eleição presidencial a frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta a reeleição. Nesta terça-feira (6), o principal índice do mercado de capitais brasileiro abriu o pregão renovando o recorde histórico a 208,9 mil pontos, com uma valorização de 1%.

Na segunda-feira (5), primeiro dia de negociações após a votação de domingo (4), a bolsa de valores passou o dia todo com uma valorização de 8% e fechou em alta de 7,7% aos 206,1 mil pontos.

Os investidores começam a se ajustar à possibilidade de mudança no governo federal e, consequentemente, na economia brasileira. Para o mercado financeiro, um governo liderado por Flávio tem mais chances de realizar ajustes fiscais.

Já Lula é visto com desconfiança, percepção ampliada com o pacote de benesses adotado antes do primeiro turno, que incluiu o aumento dos valores do Bolsa Família, com impacto estimado em R$ 5,8 bilhões. O governo também deve deixar de receber R$ 1,5 bilhão em receitas com o fim das bets.

A dívida bruta brasileira atingiu a marca de 82,9% do PIB, com a avaliação de que as regras atuais do arcabouço fiscal não têm sido suficientes para estancar esse avanço.

Para compensar o risco de financiar um governo endividado, investidores passam a exigir retornos cada vez maiores nos títulos públicos. Isso eleva os juros futuros e força o Banco Central a manter a taxa básica de juros alta para conter a inflação – atualmente em 13,75% –, o que encarece o crédito para empresas e famílias.

Declarações de Lula que relativizam a necessidade de superávits fiscais ou que expandem gastos para focar em programas sociais perto do período eleitoral acendem o alerta do mercado financeiro. Sem uma indicação clara de controle rígido de despesas para o futuro, os agentes projetam um cenário de dominância fiscal, no qual a política fiscal expansionista mina os efeitos da política monetária.